Desde os romanos, a assembleia aristocrática foi criada e adaptada para conter reivindicações da sociedade. Se a Justiça é desigual; se a soberania é sequestrada; se o custo de vida é alto… tudo passa por revisão dos senadores. Em 2026, será a batalha crucial no Brasil
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Desde os romanos, a assembleia aristocrática foi criada e adaptada para conter reivindicações da sociedade. Se a Justiça é desigual; se a soberania é sequestrada; se o custo de vida é alto… tudo passa por revisão dos senadores. Em 2026, será a batalha crucial no Brasil
Publicado 10/07/2026 às 18:38 - Atualizado 08/08/2026 às 01:54
Imagem: Daniel Caballero
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Senado é um tipo de assembleia criado por oligarcas no império romano para garantir o domínio sobre a plebe. O artifício foi copiado pelos barões ingleses e adaptado por muitos países para barrar mudanças reclamadas pela sociedade.
No Brasil, foi imposto por Dom Pedro I, que imperava apoiado por senhores de terra, gado e gente. Só os muito ricos podiam votar e ser eleitos para o Senado.
Atualmente, todos podem votar nos candidatos ao Senado, mas a maioria vê o senador apenas como alguém que pode trazer pequenos benefícios às comunidades.
Formalmente, o Senado é poderosíssimo: tem responsabilidade direta ou indireta sobre o que ocorre de bom e de ruim no país; revisa leis propostas por deputados e presidentes da República. Se as leis prejudicam o pobre e favorecem o rico, não protegem quem trabalha, deixam sem defesa a mulher, o idoso, as crianças, os afrodescendentes, a culpa é, sobretudo, do Senado.
Se a Justiça é desigual, favorece os mais abonados, o Senado tem parcela de responsabilidade, já que autoriza a nomeação dos juízes superiores e pode afastá-los do cargo caso cometam infrações.
Senado e Câmara dos Deputados determinam como o governo deve gastar o dinheiro público. Se enche o bolso dos ricos e não melhora a vida do povo, a culpa é dos senadores e dos deputados.
O Senado autoriza ou não empréstimos externos dos governos federal, estaduais e municipais, bem como de empresas públicas. Boa parte do dinheiro do povo é gasto para pagar dívidas irresponsáveis.
Se nossos minérios, florestas, terras férteis e recursos hídricos servem para enriquecer um punhado de brasileiros e estrangeiros; se nosso meio ambiente é destroçado, nossos rios poluídos, o Senado tem tudo a ver com isso. Câmara e Senado aprovam ou desaprovam a exploração das terras dos indígenas.
O Senado autoriza a nomeação dos dirigentes do Banco Central. Se os juros são altos, prejudicam as atividades econômicas e deixam as famílias sufocadas, o Senado deve ser cobrado por isso.
O Senado autoriza a nomeação dos que regulam concessões de serviços públicos. O dedo do Senado está no alto preço da gasolina, do gás, da água, da energia elétrica…
O Senado é fundamental para proteger o Brasil do estrangeiro ganancioso: tem obrigação de autorizar e fiscalizar os acordos internacionais do Brasil. É o Senado que autoriza a nomeação de embaixadores.
O Senado é poderoso. Se o presidente e os ministros cometem infrações graves, é o Senado que, autorizado pelos deputados, deve tirá-los dos cargos. Um presidente deixou o povo sem cuidados na epidemia da Covid 19 e não foi deposto. Deputados e senadores têm culpa nessa tragédia.
O Senado é fundamental para preservar a democracia. Se comandantes militares permitem que as fileiras se envolvam em atividades golpistas, cabe ao Senado julgá-los.
O Senado não é voz da população; representa as unidades federativas. Todos os estados detêm três cadeiras no Senado.
Por representar a Federação, o Senado é indispensável para o enfrentamento de um problema dramático e urgente: o crime organizado. É impossível estabelecer um sistema de Segurança Pública razoável sem pacto federativo.
Outro problema para o qual o Senado faz cara de paisagem é a desigualdade regional de desenvolvimento socioeconômico. Se políticas governamentais beneficiam alguns estados e prejudicam outros, cabe ao Senado corrigi-las.
Por que o Senado esconde suas graves responsabilidades?
Certamente, para a comodidade de seus integrantes, que deixam de ser cobrados pelo povo.
Mas, também, para melhor cumprir o papel para o qual foi criado pelos romanos e aperfeiçoado ao longo da história: garantir o domínio de poucos sobre a imensa maioria.
Não dá para sonhar com futuro promissor se a sociedade não quebrar o muro dessa cidadela reacionária. Eu tentarei contribuir para trincar esse muro.
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Tags
acordos internacionais, assembleia, Banco Central, cidadela reacionária, deputados, desenvolvimento socioeconômico, desigualdade regional, dinheiro público, governo federal, império romano, leis, oligarquias, poder político, política brasileira, políticas governamentais, responsabilidades políticas, segurança pública, Senado, senadores, serviços públicos
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