Entenda como a tecnologia pode ajudar a transformar o Seguro de Vida no Brasil, superando desafios econômicos e sociais.
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Por Gustavo Leança, Diretor de Soluções para Seguros na Capgemini
Nos últimos anos, a Capgemini tem acompanhado de forma estruturada a evolução do mercado de Seguros no Brasil e no mundo. Desde 2021, a série World Life Insurance Report (WIR) combina análise de tendências, pesquisas com consumidores e entrevistas com executivos para entender essa dinâmica.
Uma conclusão crítica emerge desses estudos: em mercados maduros, o Seguro de Vida tem perdido relevância econômica ao longo do tempo. Pressões macroeconômicas, mudanças nos arranjos familiares, novas prioridades de consumo e a concorrência com outros produtos financeiros resultaram em um crescimento estruturalmente baixo. O WIR 2025 aponta que, entre 2007 e 2023, o produto apresentou um CAGR global negativo de -0,2%, com perda de participação tanto no PIB quanto nas carteiras dos consumidores (Figura 1).
No Brasil, o cenário ainda é distinto – e mais promissor. O Seguro de Vida segue crescendo acima da inflação, o potencial de expansão continua alto e produtos consolidados em outros mercados, como o Seguro de Vida Universal, ainda não foram lançados.
Figura 1 – Queda na participação do Seguro de Vida no mundo vs Brasil
A distância entre intenção e realidadeO desempenho modesto deste produto em mercados maduros não significa perda de relevância social. Pelo contrário: o WIR 2026 mostra que 68% dos consumidores globais e 85% dos brasileiros afirmam considerar o Seguro de Vida em seu planejamento futuro.
Essa intenção está ligada a preocupações com aposentadoria e morte. Segundo o WIR 2025, 72% dos brasileiros esperam se planejar para uma aposentadoria tranquila. Já o estudo Icatu/Conversion (2026) indica que 67% pensam com frequência sobre a morte, gerando ansiedade quanto à proteção da família e ao legado.
Apesar disso, a conversão em contratação é baixa. A penetração do produto no Brasil é estimada em cerca de 18% da população (Fenaprevi/Datafolha, 2024). Esse hiato revela um quadro de desafios – da compreensão do produto à percepção de valor – e reforça que crescer em Vida exige mais do que ampliar a distribuição: é preciso redefinir o papel do produto na vida das pessoas.
Principais desafios do Seguro de Vida no BrasilDestravar o crescimento requer atuação coordenada em produto, tecnologia, operação, experiência do cliente, comunicação e ambiente institucional. Entre os desafios citados pelos estudos da Capgemini, somados a um entendimento específico do mercado brasileiro, podemos listar:
Os desafios enfrentados pelo Seguro de Vida no Brasil são reais – e amplamente conhecidos. O risco, contudo, não está na existência desses obstáculos, mas na tentativa de superá-los fazendo mais do mesmo. A experiência de mercados mais maduros mostra que insistir em modelos tradicionais de produto, distribuição e comunicação tende a levar à estagnação estrutural. O Brasil ainda está em uma janela de oportunidade, mas ela não permanecerá aberta indefinidamente.
Os estudos da Capgemini indicam que o crescimento virá da redefinição do papel do Seguro de Vida: de proteção de vida acionada em momentos pontuais para um instrumento contínuo de resiliência financeira e bem-estar ao longo da vida, ou seja, um produto de uso em vida.
Algumas oportunidades se destacam:Os vencedores não serão os que “educarem sobre a morte”, mas os que conseguirem integrar o Seguro de Vida às decisões financeiras cotidianas, competir por mindshare e tornar a proteção simples, acessível e tangível antes mesmo do sinistro.
O papel central da tecnologia na transformaçãoA efetivação dessas oportunidades exige, contudo, o enfrentamento de desafios estruturais pelas seguradoras:
Plataformas flexíveis, uso avançado de dados, automação inteligente, IA para personalização e eficiência e jornadas “figitais” são condições essenciais para reposicionar o Seguro de Vida no centro da proposta de valor.
Um ponto de vista da Capgemini: roadmap de açõesA agenda de transformação pode ser organizada em três horizontes:
Curto prazo (movimentos “no regret”)
Médio prazo
Longo prazo
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